Um dos principais pontos da ação são os Fóruns Regionais da Indústria realizados pela Fiep em 2025, quando Edson Vasconcelos, vice de Moro, ainda presidia a entidade.
Os encontros ocorreram em Guarapuava, Pato Branco, Cambé, Cascavel, Maringá, Ponta Grossa, Irati e Curitiba. Segundo os autores da ação, Sergio Moro participou dos eventos como convidado de honra e, em determinadas ocasiões, teria ultrapassado os temas relacionados ao setor industrial, passando a abordar questões de natureza política.
A acusação sustenta que a estrutura e os recursos empregados pela Fiep nos eventos poderiam ter contribuído para ampliar a exposição pública de Moro e Vasconcelos.
A alegação, entretanto, ainda será submetida ao contraditório e à análise das provas. Na decisão, o corregedor considerou que a apuração dos fatos depende justamente da documentação financeira e operacional dos eventos. (Gazeta do Paraná)
Contratos chegam a R$ 11,27 milhões
De acordo com a ação, cinco contratos relacionados a serviços de mídia, rádio, estruturas para eventos, organização e marketing alcançam aproximadamente R$ 11,27 milhões.
Desse total, segundo a acusação, cerca de R$ 5,18 milhões teriam sido executados durante o período dos Fóruns Regionais da Indústria de 2025.
A existência desses contratos, por si só, não significa que os valores tenham sido utilizados com finalidade eleitoral. O objetivo da investigação é verificar a destinação dos recursos, os serviços efetivamente prestados e eventual relação entre as despesas realizadas pela entidade e a exposição dos candidatos.
Por isso, a decisão determina a preservação de documentos fiscais, contratos, notas de empenho, ordens de serviço, comprovantes de pagamento e registros contábeis.
A Fiep deverá informar ao Tribunal, no prazo de cinco dias, quais documentos foram preservados. Em caso de descumprimento, foi fixada multa de R$ 30 mil. (Gazeta do Paraná)
Assembleia da Fiep também será analisada
Outro ponto incluído na investigação é a Assembleia Geral Extraordinária da Fiep realizada em 26 de agosto, durante a Expo+Indústria.
Na ocasião, segundo a ação, a entidade alterou dispositivo de seu estatuto relacionado à permanência e ao retorno de ex-dirigentes que tenham deixado cargos para exercer funções políticas.
Os autores sustentam que a alteração poderia beneficiar Edson Vasconcelos, que deixou a presidência da Fiep em março para integrar a chapa de Sergio Moro.
A ação questiona se a mudança estatutária poderia permitir o retorno de Vasconcelos à presidência da entidade em condições diferentes das previstas anteriormente.
Participaram da assembleia 76 delegados, sendo 60 presencialmente e 16 de forma eletrônica, representando 103 sindicatos.
O corregedor determinou também a preservação dos documentos relacionados à assembleia e aos custos da realização do evento. A decisão, contudo, faz uma ressalva: nesta fase inicial, os elementos apresentados sobre a Expo+Indústria e a assembleia não são suficientes, por si só, para demonstrar benefício direto às candidaturas. A documentação deverá ser preservada para que os fatos possam ser posteriormente esclarecidos. (Gazeta do Paraná)


